BC quebra “tabu maluco” de que não se pode mexer nas reservas internacionais, diz Figueiredo

Luiz Fernando Figueiredo Mauá Fora da Curva

SÃO PAULO – Uma importante mudança na política cambial mas, mais do que isso, a quebra de um “tabu maluco” de que não se pode mexer nas reservas internacionais.

É assim que Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do Banco Central e sócio-fundador da Mauá Capital, avaliou a atuação do BC, que começará nesta quarta-feira (21) a venda de dólares à vista de parte das reservas internacionais, atualmente em US$ 388 bilhões.

A autoridade monetária leiloará US$ 550 milhões por dia entre 21 e 29 de agosto, totalizando US$ 3,845 bilhões no período, simultaneamente à oferta de montante equivalente em swaps cambiais reversos, que funcionam como compra de dólares no mercado futuro. 

Em entrevista ao InfoMoney, Figueiredo ressaltou que o mercado de câmbio brasileiro está relativamente equilibrado em termos de risco, mas que estava mostrando distorção pela falta de dólar no mercado à vista e excesso de hedge. Assim, a somatória estava equilibrada, mas faltava muito de um mecanismo, enquanto sobrava de outro. 

“O que o Banco Central está fazendo é resolver essa distorção, vendendo reserva e recomprando swaps, reduzindo a distorção e já dando início a um processo de reduzir as reservas internacionais. Elas são importantes, mas estão em um montante excessivo”, avalia o ex-BC. 

Para Figueiredo, o Brasil poderia ter US$ 150 bilhões a menos em reservas: “um volume de um pouco mais de US$ 200 bilhões é bom mas, mais do que isso, é excessivo e o Brasil está carregando a muito tempo”.

Um dos problemas de ter reservas em excesso é por conta do alto custo de carregamento. Ele pode ser calculado a grosso modo pela diferença dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano, onde nossas reservas estão preponderantemente investidas, e da taxa de juros paga pelo Tesouro Nacional, mais altas, e que é a remuneração feita pelo governo (veja mais clicando aqui).

Por mais que os juros no Brasil estejam em trajetória de queda, atualmente eles estão em 6% ao ano, enquanto os juros nos EUA estão entre 2% e 2,25%. Ou seja, o governo remunera pela Selic (mais alta) e recebe remuneração pela taxa do Fed (mais baixa), o que gera esse custo. 

Assim, mesmo sem ser intencional, o “efeito colateral” é positivo e deve levar à redução da dívida bruta, enquanto é esperado um efeito no preço do dólar, mas ele é secundário, afirma Figueiredo. 

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